entre fantasmas e monstros
desfigurados
estes monstros que cospem fogo
nas torres, nas igrejas e mesquitas
Todos os relógios pararam
por um instante
eu vejo somente os olhos
e desespero
eu ouço o o som dos meus irmãos
mortos
eu vejo os corpos alimentando
o ódio
somos monstros sem rostos
sem almas
porque perdemos nossa dignidade
somos história
manchada nas ruas sem asfalto
o tempo parou para
apagar cada existência
de nossos rostos e histórias
por favor, senhor me dê
a surdez para não ouvir as bombas
me dê e a cegueira
para não ver os espelhos
destes corpos
de nossos corações desolados
meu rosto monstruoso
ainda é humano
e você que nos elimina o que é?
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